Uma garota genial

A Aline é uma das meninas mais legais das HQs. Criada por Adão Iturrusgarai, Aline é uma paulistana moderninha que mora com seus dois namorados, Otto e Pedro. É assim que a maioria das pessoas define a personagem. Outros preferem considerá-la uma piranha depravada, uma pecadora digna de pena. Nunca tive saco para nenhuma dessas visões. Para mim, Aline é simplesmente alguém que vive sua vida do jeito que quer, é feliz e não está nem aí para a opinião mesquinha dos outros. É ou não é uma menina admirável?

Ela hoje estreia sua própria série de TV em live action, na Globo. O piloto, do ano passado, foi show principalmente pelo elenco. Maria Flor é a própria Aline. Descolada, irreverente e bonita na medida, sem ser uma deusa, mas uma das garotas mais interessantes da turma do bairro. Pedro Neschling, (Pedro) e Bernardo Marinho (Otto) estão perfeitos, entenderam qual a onda dos personagens e entraram de cabeça. Eles não são cornos, nem estão de putaria, são dois amigos que se apaixonaram pela mesma garota e resolveram não criar drama com isso. O elenco traz ainda Daniel Dantas e Mallu Galli vivendo os pais da moça. A adaptação é de Mário Wilson e a direção é de Maurício Farias.

Mas essa não é a primeira vez que Aline vai para a TV. Em 2005, o Adão produziu uma série de vinhetas animadas para o Adult Swin do Cartoon Network. O material é bem diferente do seriado global, vale a pena ver de novo.
A Lenda de Beowulf
O cinema de animação finalmente produziu um filme que não tem nada de infantil. A Lenda de Beowulf é um filme forte, violento, com nudez e diálogos sacanas. Além de questionar a religião e mostrar como uma civilização pode ser erguida sobre mentiras e distorções.
Adaptado, por Neil Gaiman (festejado autor de Sandman), de um antigo poema épico inglês o longa traz a história de Beowulf (Ray Winstone), um guerreiro que aumenta seus feitos a cada vez que os narra. Seus contos chamam a atenção do rei Hrotgar (Anthony Hopkins) que o incumbe de matar o monstro Grendel (Crispin Glover). Ele faz isso e atrai a ira da mãe de Grendel (Angelina Jolie), que sai em busca de vingança.
Filmado com a técnica de “captura de movimentos”, já usada pelo diretor Robert Zemeckis em O Expresso Polar. Os personagens são desenhados digitalmente por cima das imagens dos atores. O verdadeiro Ray Winstone é baixinho e gordinho (ele é o ajudante de Jack Nicholson em Os Infiltrados), Angelina Jolie, nua quase todo o tempo, se transforma em réptil como se fosse a coisa mais natural do mundo e Crispin Glover é o imenso Grendel com expressões faciais humanas. Não há cenários, tudo é feito digitalmente. A filmagem tem apenas os atores sem figurinos e conectados aos sensores atuando em frente a um fundo verde. Com isso o cinema fica livre. O diretor pode escolher o elenco que quiser, sem se preocupar se o tipo físico encaixa. Qualquer locação é possível. As leis da física não são mais um limite, todo movimento de câmera é possível, em qualquer ângulo.
Beowulf prova que o avanço da tecnologia deve servir ao entretenimento, sem o ótimo elenco e a direção segura de Zemeckis, o filme seria apenas um espetáculo vazio, como muitos que ocupam cada vez mais as telas.
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