30 dias de terror
Adapatações de quadrinhos e filmes de terror estão entre os filmes que sempre me deixam curiosos. Não é assim tão fácil juntar as duas coisas.
30 dias de Noite, de David Slade (diretor de Menina Má.com), traz sangue novo a um dos gêneros mais antigos do cinema. O filme é uma adaptação da história em quadrinhos de mesmo nome de Steve Niles e Ben Templesmith, já publicada no Brasil.
Desde Vampire, o primeiro filme de vampiros, feito em 1913, todo tipo de morto vivo apareceu no cinema e na TV, e eles sempre voltaram para o caixão ao nascer do sol. Isso facilita a vida dos caçadores de vampiro, não é mesmo? Então, que tal se o sol não aparecesse um mês inteiro?
É isso que acontece na pequena cidade de Barrow, no Alaska. Devido a sua posição geográfica, o lugar fica 30 dias sem sol no inverno. No último dia de luz antes da longa noite, um misterioso forasteiro chega à cidade trazendo com ele um grupo de vampiros dispostos a fazer uma festinha no lugar. Pouco a pouco vão caindo a energia, os telefones, a Internet e todo tipo de comunicação com o mundo exterior. E eles vão saindo e mordendo todo mundo que encontram pela frente.
O longa tem algum suspense, efeitos e maquiagem de sempre, uma boa fotografia, além de ação e violência que pode agradar aos fãs de terror. O grande problema é a passagem de tempo. Um mês fica parecendo um dia (ou noite, sei lá) espremido em duas horas de projeção, falta aquela sensação de que o pesadelo não vai acabar nunca. Mas o filme não perde o pique e o final pode surpreender quem não tem intimidade com filmes de terror.
O elenco é encabeçado por Josh Hartnett (o xerife Eben Oleson) e Stella Oleson, sua esposa Melissa George. Os dois estão se separando, mas por causa dos eventos recentes na cidade eles são obrigados a encarar o relacionamento. O líder dos vampiros é feito por Danny Huston, que se destaca no meio do bando de chupadores de sangue.
O filme custou apenas 30 milhões de dólares, e já arrecadou o dobro. Podem esperar pelas continuações.
Uma garota genial

A Aline é uma das meninas mais legais das HQs. Criada por Adão Iturrusgarai, Aline é uma paulistana moderninha que mora com seus dois namorados, Otto e Pedro. É assim que a maioria das pessoas define a personagem. Outros preferem considerá-la uma piranha depravada, uma pecadora digna de pena. Nunca tive saco para nenhuma dessas visões. Para mim, Aline é simplesmente alguém que vive sua vida do jeito que quer, é feliz e não está nem aí para a opinião mesquinha dos outros. É ou não é uma menina admirável?

Ela hoje estreia sua própria série de TV em live action, na Globo. O piloto, do ano passado, foi show principalmente pelo elenco. Maria Flor é a própria Aline. Descolada, irreverente e bonita na medida, sem ser uma deusa, mas uma das garotas mais interessantes da turma do bairro. Pedro Neschling, (Pedro) e Bernardo Marinho (Otto) estão perfeitos, entenderam qual a onda dos personagens e entraram de cabeça. Eles não são cornos, nem estão de putaria, são dois amigos que se apaixonaram pela mesma garota e resolveram não criar drama com isso. O elenco traz ainda Daniel Dantas e Mallu Galli vivendo os pais da moça. A adaptação é de Mário Wilson e a direção é de Maurício Farias.

Mas essa não é a primeira vez que Aline vai para a TV. Em 2005, o Adão produziu uma série de vinhetas animadas para o Adult Swin do Cartoon Network. O material é bem diferente do seriado global, vale a pena ver de novo.
Laerte
O Laerte faz parte da minha leitura diária, não passo um dia sem ir lá no Manual do Minotauro. Muita gente o considera o artista mais imprtante do Brasil. Como autor de quadrinhos, está entre os melhores do mundo. Eu acho ele genial desde os Palhaços Mudos e os Piratas do Tietê. Essa drágea aí de cima é matadora, como não vejo há muito tempo, feita por outra pessoa. O cinema está se tornando o principal assunto da Palpitaria, e o sentimento é esse aí.
Quem vigia os vigilantes?
Filmes baseados em histórias em quadrinhos estão na moda, especialmente adaptações de super-heróis. Quase todos os filmes seguem uma fórmula parecida. Contam a origem do sujeito, seu confronto com o vilão responsável pela sua transformação em herói, e fecham deixando um gancho para o próximo filme. Isso tudo é desculpa para perseguições e pancadarias e depois de uma hora e meia todo mundo sai satisfeito e alegre do cinema. Assim são os filmes de heróis. Quer dizer, eram, até agora.
A maior história de heróis já escrita finalmente foi adaptada para o cinema. Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons, foi um marco quando publicada em 1985. De lá para cá, foram muitas as tentativas de levar a obra de Moore para as telonas, todas as versões de roteiro deturpavam o sentido e retiravam toda a tensão presentes nos quadrinhos. Agora, finalmente alguém tratou o material de Alan Moore e Dave Gibbons com a dignidade e respeito merecidos. O diretor Zac Snyder aceitou o desafio, e executou o trabalho com o amor e o respeito de um verdadeiro fã. O clima pessimista e depressivo, o visual decadente de Nova York, os uniformes absurdos, diálogos saídos direto dos balões dos quadrinhos e a genitália azul do Dr. Manhattam. Tudo está na tela.
Watchmen se passa em 1985, em uma América alternativa, onde super-heróis uniformizados são parte da sociedade e o Relógio do Juízo Final, que mede a tensão entre os EUA e a União Soviética, marca permanentemente cinco para meia-noite.
Quando um de seus antigos colegas é assassinado, O psicótico vigilante Rorschach desvenda uma trama para matar e desacreditar todos os super-heróis, do passado e do presente. Conforme ele reencontra sua antiga legião de combatentes do crime, um grupo de heróis aposentados, onde apenas um possui de fato superpoderes, Rorschach vislumbra uma ampla e perturbadora conspiração relacionada ao passado deles e com conseqüências catastróficas para o futuro.
Esse não é um filme normal de super-heróis, é longo (163 min), com uma violência apenas pontual, quando necessária para a história, longos diálogos e pessoas quase normais, a não ser pelo fato de vestirem uma fantasia e saírem por aí espancando criminosos.
A publicação de Watchmen trouxe um novo rumo para um gênero que definhava. A estréia de Watchmen – o filme pode evitar que os próximos produtos cinematográficos com super-heróis sejam tão parecidos, possam apresentar mais diferenças entre si.
E Crumb disse: Faça-se a luz
Robert Crumb é um dos maiores artistas do mundo. Em qualquer ramo das artes, é difícil encontrar alguém que tenha uma percepção tão acurada do mundo a sua volta. O cara criou o Gato Fritz, virou a contracultura de cabeça para baixo, demoliu os padrões de beleza com suas mulheres, acabou com a hipocrisia da classe média. Ele fez tudo isso usando histórias em quadrinhos.
Agora, Mestre Crumb está lançando a sua versão do Gênesis. Ele desenhou a partir do texto original, sem as costumeiras adaptações e cortes.
Vi meu trabalho como o de um ilustrador, não o de alguém que estaria tirando sarro do texto. Queria, como dizer, revelar o texto tanto quanto possível.
Crumb deu aos personagens aquele seu consagrado estilo. Então temos uma Eva, que é uma típica mulher de Crumb, quadris largos, peitos de sobra, pura volúpia. E a serpente? Parece algum amigo do Fritz, malicioso, cheio de suingue, me lembra aqueles traficantes e cafetões que o Crumb fazia nos anos sessenta e setenta.

O livro sai no Brasil em outubro pela Conrad.
Para o alto e avante
A batalha pelos direitos sobre o Último Filho de Kripton vem se arrastando há muito tempo pelos tribunais americanos. Os criadores do herói, Joe Siegel e Jerry Shuster, morreram sem ganhar o que mereciam pela criação de um dos maiores ícones do século XX. Agora, parece que os herdeiros vão conseguir algum reconhecimento e pagamento. O trecho abaixo é do Omelete:
Até agora, estava decidido que em 2013 tanto as herdeiras de Siegel quando o espólio de Joe Shuster ganham total direito sobre o personagem. O juiz decidiu adiantar nesta semana parte dos direitos, referentes a trabalhos que não foram contratados pela editora, ou seja, trabalhos adicionais cuja iniciativa de criar partiu de Shuster e Siegel. São as duas primeiras semanas das tiras de jornal publicadas de Superman, além de partes das histórias publicadas em Action Comics e outras HQs.
Isso significa que as herdeiras agora têm controle sobre a origem do herói, seu passado em Krypton, sobre Jor-El e Lora, o bebê Kal-El e sobre o conceito do alienígena que chega à Terra em uma nave enquanto bebê. Portanto, se a Warner Bros. decidir incluir num próximo filme do herói imagens da origem de Superman terá que pedir os direitos às herdeiras.
Isso explica a pressa para fazer um filme, qualquer filme, que reinicie a franquia do Homem de Aço. O último, Superman returns, está sendo considerado o fim do legado de Richard Donner, uma homenagem ao clássico longa de 1978. O problema é que ninguém tem idéia do que fazer com o personagem agora. Segiur um caminho mais sombrio, tipo Batman TDK? Lutar pela verdade e jutiça tentando não parecer tiração de sarro com a plateia? Esperar um filme da Liga da Justiça? Esse filme vai acabar saindo nas coxas, só para não pagar nada para quem é de direito.
A história de Siegel & Shuster inspirou o escritor americano Michael Chabon a escrever As Incríveis Aventuras de Kavalier e Clay (ganhador do Pulitzer de 2001). Uma homenagem a Era de Ouro dos quadrinhos e uma descrição fantástica do que foram os EUA, nos anos 30 e 40. Para saber mais sobre o livro leia a ótima resenha do Dr. NPTO que, aliás, foi quem me presentou o livro.
Hare Baba!
Quem curte cultura indiana, mas não dispensa um toque pop, vai ter motivos para festejar em 2010. A adaptação do MAHABHARATA (o clássico hindu que narra a luta entre clãs rivais para decidir o controle do mundo) que o escritor inglês Grant Morrison fez para os quadrinhos se tornou base para uma longa de animação. As guerras dos deuses serão mostradas em 3D. Apesar da aparência futurista, a animação promete ser fiel as narrativas milenares. Confira um trailler:
Se você quiser uma coisa mais cabeça, tente o MAHABHARATA de Peter Brook. São 157 minutos que o diretor inglês rodou em 1989, sobre uma adaptação do escritor Jean-Claude Carrière.O elenco tem atores de 42 países. Eu vi no cinema, mas dá para achar nas boas lojas e sites do ramo. È bom para caramba.
Agora, se você não liga para a India, basta ligar a televisão de segunda a sábado, as 21 horas. Você poderá ter uma idéia de como NÃO funciona esse país nos dias atuais.
Salve Jorge! (II)
O aniversário de Jorge marca a chegada de uma adapatação de sua obra para os quadrinhos. O Spacca lançou, pela Quadrinhos na Cia, o album Jubiabá em quadrinhos. São 96 páginas por R$33,00, que valem a pena tanto para quem gosta de quadrinhos quanto para quem ainda tem preconceitos com essa forma de arte.
O NPTO classificou o palpiteiro como autoridade em quadrinhos, então é melhor seguir a indicação.
Réquiem para um ator
Heath Ledger, morto no inicio do ano, foi um dos melhores atores de sua geração. Carismático, talentoso e corajoso para escolher papeis que passam longe da tradicional imagem de galã. Ele fez isso ao interpretar o cowboy gay de O Segredo de BrokeBack Mountain e repetiu a dose em Batman – O Cavaleiro das Trevas, que estréia hoje nas telas da região.
A segunda aventura da nova série do Cruzado de Gotham traz Christian Bale (de O Operário e O Grande Truque) novamente na pele do bilionário Bruce Wayne, um sujeito com problemas. Ele gosta de passar as noites vestido de preto e espancando pessoas por conta própria, além de viver sozinho numa mansão com seu velho e fiel mordomo inglês Alfred Pennyworth (Michael Caine, de volta ao papel).
Neste filme, o Herói Mascarado conta com a ajuda do policial James Gordon, mais uma vez vivido por Gary Oldman, (da série Harry Potter) e do promotor público Harvey Dent (Aaron Eckhart) para tentar acabar com crime organizado na cidade. Mas há um novo jogador em campo, alguém que também gosta de andar fantasiado, e parece uma imagem distorcida do nosso velho Cavaleiro das Trevas: O Coringa. Um insano e genial assassino que esconde suas cicatrizes sob uma bizarra maquiagem de palhaço. Ele dá um golpe nos chefões da cidade e toma o controle do crime, promovendo um verdadeiro banho de sangue.
È na pele do Palhaço do Crime que Ledger mostra todo seu talento. Visceral e assustador, ele rouba a cena sempre que aparece. Sua interpretação intensa é o que diferencia o longa do diretor Cris Nolan das outras adaptações dos quadrinhos de Batman. O Coringa passa bem longe do vivido por Jack Nicholson no filme de Tim Burton e, definitivamente, não é o mesmo personagem da série de TV. Em seu ultimo trabalho completo o jovem ator deve ser novamente indicado para alguns dos principais prêmios da indústria. Mas dessa vez, não estará lá para os aplausos.

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