Comer demais, faz mal
Nelson é irresistível. Sua obra teve bons e maus momentos na TV e no cinema. A série global “A vida como ela é” apresentou alguns dos melhores. Aqui ele discuste sobre como é difícil levar vida dupla:
Domingo é dia de Nelson
Domingão de sol, sem praia. Mengão, só de tarde. Enquanto todos dormem, converso com o Anjo Pornográfico. Frases tiradas do livro “Flor de Obsessão”
– No passado, a notícia e o fato eram simultâneos. O atropelado acabava de estrebuchar na página do jornal.
- Não reparem que eu misture os tratamentos de “tu” e “você”. Não acredito em brasileiro sem erro de concordância.
- Nossa ficção é cega para o cio nacional. Por exemplo: não há, na obra do Guimarães Rosa, uma só curra.
- Os magros só deviam amar vestidos, e nunca no claro.
- Um filho, numa mulher, é uma transformação. Até uma cretina, quando tem um filho, melhora.
- O cardiologista não tem, como o analista, dez anos para curar o doente. Ou melhor: — dez anos para não curar. Não há no enfarte a paciência das neuroses.
- Não há ninguém mais vago, mais irrelevante, mais contínuo do que o ex-ministro.
- Nunca a mulher foi menos amada do que em nossos dias.
- O Natal já foi festa, já foi um profundo gesto de amor. Hoje, o Natal é um orçamento.
- Enquanto um sábio negro não puder ser nosso embaixador em Paris, nós seremos o pré-Brasil.
- Quem nunca desejou morrer com o ser amado nunca amou, nem sabe o que é amar.
- Se eu tivesse que dar um conselho, diria aos mais jovens: — não façam literatice. O brasileiro é fascinado pelo chocalho da palavra.
- Qualquer menino parece, hoje, um experimentado e perverso anão de 47 anos.
- Eu me nego a acreditar que um político, mesmo o mais doce político, tenha senso moral.
- Quero crer que certas épocas são doentes mentais. Por exemplo: — a nossa.
- Sexo é para operário.
- Morder é tara? Tara é não morder.
- Todo tímido é candidato a um crime sexual.
- Só há uma tosse admissível: — a nossa.
- Desconfio muito dos veementes. Via de regra, o sujeito que esbraveja está a um milímetro do erro e da obtusidade.
- Falta ao virtuoso a feérica, a irisada, a multicolorida variedade do vigarista.
Mãe Coragem
Perder um filho deve ser a pior coisa que acontece com uma mãe ou pai. O cinema é cheio de casos em que essa perda destrói a vida de quem passa por isso. Geralmente, os filmes acabam com a família reconstituída e todos felizes para sempre. Que tal um filme que começa quando a mãe tem o filho de volta? A Troca (Changeling, 2008), de Clint Eastwood, com roteiro de J. Michael Straczynski (o criador da série Babylon 5 e escritor de quadrinhos do Homem Aranha) traz Angelina Jolie vivendo a história real de uma mãe que após perder o seu filho, recebe outra criança de volta.
O caso real ocorreu entre 1928 e 1930. Certo sábado, em Los Angeles, Christine Collins (Angelina Jolie) saiu para trabalhar e deixou seu filho Walter em casa. Na volta, não o encontrou. Com a ajuda do reverendo Briegleb (John Malkovich) e após cinco meses de buscas intensas, finalmente, a polícia encontra o garoto. Mas algo está errado e, em seu coração, Christine desconfia que ele não seja seu filho verdadeiro. A policia encontrou outra criança e quis que ela calasse a boca? Ou aquele é mesmo o seu Walter e ela está louca?
Claro que ela sabe quem é seu filho. Os sinais são claros para qualquer um. Mas, pela lei da época, uma mulher que contestasse um policial podia ser internada como louca. Foi graças a coragem de Christine e do reverendo Briegleb, que denunciaram a farsa para imprensa, que a lei acabou e a policia foi punida.
Clint Eastwood conta essa história de forma direta, sem invencionices, e consegue de Angelina uma de uas melhores interpretações, que realça a
feminilidade da personagem, perdida em um mundo masculino de policia e tribunais. Jolie é ótima atriz quando consegue um diretor e um papel que correspondam. E o senhor Eastwwod é um dos melhores diretor de atores na ativa. Do alto de seus 80 e poucos anos, Clint é o mais moderno dos diretores clássicos do atual cinema americano, ou talvez seja o mais clássico dos modernos diretores da terra do Tio Sam. A parte mais reconhecida de sua carreira começou tarde, com Os Imperdoáveis. E até aqui entregou diversas obras geniais.
Will é a Lenda

Os fãs de Will Smith não têm do que reclamar. Eu Sou a Lenda (I am Legend) traz o astro sozinho em cena quase o tempo todo. A boa noticia é que quem estiver interessado apenas em um bom filme, e gostar de ação, suspense e ficção cientifica, também pode ficar satisfeito.
Eu sou a Lenda, que adapta pela terceira vez ao cinema o romance clássico de Richard Matheson, conta a história de Robert Neville, um cientista militar que pode ser o último homem vivo da Terra. Ele tenta sobreviver a um vírus mortal que arrasou o planeta. Neville luta para não enlouquecer com a solidão, e na maior parte do tempo conta apenas com a companhia de Sam, a cadela pastor alemão que pertencia a sua falecida filha. Durante o dia, ele assiste a filmes, cultiva milho e outras coisas em pleno Central Park, caça, joga golfe e, sobretudo, tenta encontrar uma cura usando seu sangue imune. Mas a noite é obrigado a fugir e se esconder dos Infectados em que a população de Nova York se transformou. Os infectados pelo vírus se tornam uma espécie de vampiro zumbi, que espreitam nas sombras observando cada passo de Neville, esperando que cometa um erro fatal. Até que ele descobre que não está sozinho.
Entre os sobreviventes está a brasileira Anna, interpretada por Alice Braga. Alice foi a única escolha da produção para o papel, não precisou de testes, e Will Smith revelou que queria trabalhar com ela desde que assistiu Cidade de Deus. O ator também disse que gostaria de mais cenas de amor com ela. Nenhuma das cenas entre ele e Alice entrou na edição final do filme, coisa de americano que libera sangue e violência para a garotada, mas morre de vergonha de amor e sexo.
Visualmente impactante e com a adrenalina sempre alta, Eu Sou a Lenda é dirigido por Francis Lawrence, diretor de Constantine, e roteirizado por Akiva Goldsman, ganhador do Oscar por Uma Mente Brilhante. O filme quebrou o recorde de melhor abertura de todos os tempos para um filme em dezembro (76,5 milhões de dólares) e significa também o maior trabalho da carreira de Will Smith, pelo menos o mais lucrativo até agora.
O único problema é o mesmo de várias refilmagens recentes: o vazio de mensagens e ideias. O filme é bom? É. Mas é só um filme de ação que não te deixa muita coisa quando a adrenalina volta ao normal.
Monstro detona New York
O cinema de terror ganha destaque aqui na Palpitaria com Cloverfield – Monstro. O filme traz sangue novo para um gênero que andava um tanto quanto desgastado: o ataque de monstro.
Cloverfield retoma a tradição de Godzilla e King Kong e mostra uma criatura gigantesca arrasando Nova York. O toque de criatividade fica por conta de como isso é rodado. Todo o filme é feito com a câmera na mão. A ideia é que esse filme foi feito com celular para postar no You Tube. E não é isso que qualquer um faria hoje em dia, caso a cidade fosse detonada por um monstro?
A história começa com um grupo de amigos que se reúne para a festa de despedida de Rob (Michael Stahl-David), que está de malas prontas para o Japão. No meio da noite, um enorme estrondo balança os prédios e causa um blecaute em Manhattan, coração de Nova York. Alguns minutos depois, com a situação aparentemente de volta ao normal, os noticiários começam a reportar o ocorrido. Não foi um terremoto, mas pouco se sabe sobre a real causa. A festa é temporariamente transferida para o terraço do prédio, de onde se pode ver alguns pontos de explosão. E então começa a correria, o grupo tem que fugir para se salvar, enquanto um deles continua registrando tudo com a filmadora.
O diretor J.J. Abrams usa o artifício, já visto em A Bruxa de Blair, com inteligência. As imagens tremidas e sem foco, a falta de luz. Tudo é feito para parecer um vídeo amador, e geralmente, o efeito é conseguido. Abrams, criador de Lost e diretor do novo Jornada nas Estrelas, entrega um filme divertido e despretensioso, descartável como um gostoso saco de pipoca.

Melhor que ser surdo
Pela manhã, senhoras conversando na padaria:
- Para mim, essa história de Olimpiadas no Rio é marmelada, armação. Já tava tudo decidido, comprado.
- Sabe por que o Lula não quer devolver o imposto de renda? Gastou tudo na viagem para Chicago! Ele levou um monte de gente! Levou até o presidente do Banco do Brasil! Você viu? A comitiva brasileira era a maior que tinha lá! E aquele video que passou? Dizem que foi bem caro.
-Coisa mais sem graça. Um monte de gringo andando no Rio de Janeiro. Se fosse de verdade, ia ser tudo assaltado.
- Ou então levar uma bala perdida!!
A noite, bebuns conversando na mesma padaria:
- O Lula é que é o cara! Trouxe Olimpiadas, Copa do Mundo! Quem mais fez alguma coisa assim?
- E ainda ajuda os outros, não vê? Tá salvando a pele daquele cara da América Central. Lá da Nicaragua, sei lá.
- É um tal Zé não sei das quantas. O cara tá hospedado na Embaixada do Brasil, se sair leva chumbo. Mas acho que não é Nicaragua, não. É outro lugar lá perto. O que importa é que brasileiro não tem mais fama de egoísta., por causa do Lula.
- Pena que não pode continuar lá até a Copa pelo menos. Ele conseguiu, merecia fazer a festa. Eu votava nele de novo.
- Só não pode querer escalar o time no lugar do Dunga.
- Aí, não. Ia querer levar o Ronaldo ao invés do Adriano.

O cara
Um é pouco, dois é bom, três é melhor?
Isso não é novidade, nem coisa de meia duzia de tarados. Sempre foi algo mais feito do que falado. Se você perguntar, a maioria das pessoas provalvelmente vai negar que já tenha feito sexo com duas pessoas. Há uma grande chance delas estarem mentindo. Mas, de uns tempos para cá o assunto parece que vai sair do armário. As pessoas estão falando sobre isso na TV, em músicas e até nos quadrinhos sem causar grandes escândalos.
Primeiro, foi o filme Ken Park que mostrou uma cena de menàge tão natural que nem chocou tanto quanto queria o diretor Larry Clark. Os amigos transam, de forma explícita, e depois conversam normalmente, cena ao lado. A cena é forte e muita gente nem acha sexy. Mas quase ninguém achou absurdo. Os personagens são jovens, bonitos e livres, embora um tanto alienados.
Depois, o assunto foi mostrado nos quadrinhos família da DC Comics, numa conversa entre o Lanterna Verde Hal Jordan e seu velho chapa Oliver Queen, o Arqueiro Verde. No diálogo, escrito por James Robinson, Ollie faz um comentário sobre o que aconteceu entre o Lanterna, a Caçadora, Lady Falcão Negro e uma garrafa de vinho.
Os moralistas e hipócritas já estavam arrancando os cabelos quando o BBB9 trouxe a morena Priscilla Pires, que admitiu ter dado um presente muito especial para um namorado. Apesar das críticas, ela quase ganhou R$1 milhão e tem uma legião de fãs que a admiram por ser livre. Uma mulher que não deve satisfações a ninguém e não precisa mentir sobre o que faz e gosta.
Então, chegamos a outra musa pop, Britney Spears. A princesinha do Pop, que surgiu no Clube do Mickey,acaba de lançar seu novo single “3″ , que já estreou no topo da parada Hot 100 da Billboard, a mais importante do país. A faixa faz parte da coletânea de singles em comemoração aos 10 anos de sua carreira.
O mundo realmente parece um lugar mais leve, quando uma menina como a Aline ganha espaço no horario nobre da Globo, com direito a seus dois namorados em uma cama só no apartamento paulistano. A moça está criando fama de “fofa”, e não de vadia, como aconteceria algum tempo atrás. A atriz Maria Flor não foi agredida nas ruas.
E hoje pela manhã, foi a vez do galã Gerard Butler. O cara revelou, em um programa de TV, que fez sexo a três no último ano. Em uma brincadeira ao estilo jogo da verdade, em que tinha de responder “O Butler fez” às perguntas da apresentadora Alexia Chung, o ator respondeu afirmativamente quando perguntado sobre o assunto. “Eu quase sempre faço isso…”. Isso é Esparta!
Tudo isso está na grande mídia, de forma corriqueira e banal. Cada um na sua.
Navegar é preciso
No Hermenauta, tem um post sobre ser ou não ser bolivariano. Tem muito mais gente nesse balaio do que você acha. É só questão de opinião.
O velho e bom NPTO comenta o livro “Por um Novo Reformismo”, de Giuseppe Vacca, sobre as aventuras da esquerda italiana nos últimos cem anos, e, em certo sentido, sobre a Itália. Se você ainda se interessa sobre o que significa ser esquerda hoje, vai lá.
O pessoal do Fotograma Digital traz uma lista muito divetida com os campeões do Famboesa de Ouro, o antiOscar. Para quem gosta de filme ruim, um prato cheio.
Yes we creu, too

O maior público do campeonato, a artilharia isolada, 2 gols e alguém acha que ele não vai para África ano que vem?
Tudo o que você quer ser?
Ao longo dos últimos 50 anos, a Barbie evoluiu de simples brinquedo para ícone cultural. O slogan “tudo que você quer ser” trouxe a boneca exercendo mais de 100 profissões, ela fez de tudo. Foi astronauta, médica, executiva, para Ruth Handler, sua criadora, a boneca simboliza que “uma mulher pode fazer escolhas”.
Mas será que o estereótipo representado pela loirinha ainda faz sucesso? Ela é cada dia mais criticada por representar um ideal impossível e nem sempre desejável de beleza e consumo.
Ou tudo o que você quer ser hoje em dia é isso?

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